Um bom relatório é o que sobra da investigação para alguém conseguir ler e conferir. Se a pessoa que lê não consegue refazer o seu caminho, o achado vale pouco, por mais certo que esteja.
Antes de escrever: o planejamento
O relatório nasce no planejamento, não no fim. Antes de coletar, deixe por escrito:
- o objetivo e o alvo da investigação;
- quem vai ler (um juiz, um cliente, a imprensa, você mesmo daqui a seis meses);
- o escopo, ou seja, até onde você pode e deve ir;
- os recursos e a metodologia;
- as considerações éticas e legais.
Planejamento ruim vira coleta sem foco e relatório inchado.
O método ODPAR
Cinco verbos para manter a investigação organizada e rastreável:
- Organizar: monte logo a estrutura de pastas do caso.
- Documentar: registre enquanto coleta, não depois. O que você não anotou na hora, esquece.
- Pivotar: siga de uma pista para a outra, validando e cruzando as fontes.
- Analisar: transforme dado bruto em conclusão, procurando padrões, lacunas e contradições.
- Relatar: escreva o produto final, na versão certa para quem vai ler.
O que não pode faltar no relatório
Cada afirmação importante precisa responder a cinco perguntas:
- De onde veio? Fonte e endereço exato.
- Quando? Data e hora da coleta e, se existir, da publicação.
- Como você chegou lá? O método e as ferramentas, para que o resultado seja reproduzível.
- Quanto você confia? O grau de confiança da fonte e da informação (veja o artigo sobre avaliar uma fonte).
- Onde está a prova? A evidência preservada, com captura, arquivo e hash.
Estrutura que funciona
- Resumo de uma página, com a conclusão e o grau de confiança.
- Contexto e escopo: o que foi pedido e os limites.
- Método: como a coleta foi feita.
- Achados, em ordem lógica, cada um com sua fonte e sua nota.
- Lacunas e contradições: o que você não conseguiu confirmar.
- Anexos: evidências e registro da cadeia de custódia.
Quando o público é variado, vale ter duas versões: uma sumária, para decisão, e uma técnica, com todo o detalhe.
Antes de entregar
- Revise e confira os números, as datas e os links. Peça a outra pessoa para tentar refazer um achado a partir do texto.
- Linguagem objetiva: fatos separados de interpretação.
- Conformidade: a coleta respeitou a lei de proteção de dados, os direitos autorais e os termos de uso? Se houver dado pessoal, só entra o necessário.
- Guarda segura: o relatório e as evidências ficam criptografados, com acesso controlado e cópia de segurança.
Um relatório que diz o que não sabe é mais confiável do que um que parece saber tudo.
Texto elaborado pela comunidade OSINT Rio a partir do conteúdo do curso de pós-graduação em OSINT da WB Educação (professor Eduardo Amaral), com autorização.
