Toda investigação começa com uma pista solta. O que muda é a rota. Estes roteiros mostram, para quatro pistas comuns, a ordem em que vale consultar e o que anotar. Todos usam só fonte aberta.
Antes de começar
- Escreva a pergunta que você quer responder (veja o artigo das sete perguntas).
- Registre a pista exatamente como recebeu, com data e hora.
- Trabalhe em ambiente separado e anote o caminho de cada consulta.
1. A partir de um CNPJ
- Cartão CNPJ na Receita: situação cadastral, data de abertura, atividade, endereço, capital, quadro societário.
- Junta Comercial do estado: atos e alterações da empresa.
- Transparência: contratos, empenhos e pagamentos públicos, e consulta de despesas por fornecedor no Tribunal de Contas.
- Sanções: listas oficiais de empresas impedidas, inidôneas ou punidas.
- Processos em consulta pública dos tribunais.
- Presença digital: site, domínio, redes sociais, imagem do endereço no mapa.
- Cruze: endereço, telefone ou e-mail repetidos em outras empresas.
2. A partir de um nome de usuário
- Busque o usuário exato, entre aspas, em mais de um buscador.
- Teste em serviços de verificação de usuário que mostram em quais plataformas o nome existe.
- Compare foto, biografia, idioma, horários de postagem e contatos: o mesmo nome em duas redes não prova que é a mesma pessoa.
- Arquive as páginas antes que mudem.
- Dê grau de confiança a cada ligação.
3. A partir de um e-mail
- Domínio do e-mail: é de provedor público ou de uma empresa? Se for empresa, consulte o registro e o site.
- Busca textual pelo endereço entre aspas.
- Vazamentos conhecidos: serviços que avisam se o endereço apareceu em incidente.
- Cabeçalho, se você recebeu a mensagem: veja o artigo sobre rastrear domínio, IP e e-mail.
- Cuidado: e-mail ligado a nome não é identidade. Confirme com mais um dado independente.
4. A partir do nome de uma pessoa pública
Para candidatos, gestores e servidores, há fontes próprias:
- Bens declarados e prestação de contas de candidatos na Justiça Eleitoral.
- Transparência: remuneração, cargos, contratos e viagens, no portal do ente público.
- Diários oficiais: nomeações, exonerações, atos e licitações assinados.
- Empresas em que aparece como sócio.
- Processos públicos.
- Imprensa e redes sociais do próprio, com data e fonte.
- Homônimos: confirme por mais de um dado.
E o CPF, o telefone e a placa?
Cadastros de CPF, consulta reversa de telefone e dados de veículo costumam estar em bases restritas ou pagas, e nem sempre são lícitos de usar. Se a sua investigação depende deles, o caminho é a requisição formal por quem tem competência, não uma busca de bastidor. Quando um CPF aparecer em fonte pública, trate-o como dado pessoal e proteja.
Fechamento
Para cada roteiro, termine com um quadro: o que você achou, de qual fonte, em que data, e com que grau de confiança. Se não consegue escrever isso, ainda não terminou. Veja o artigo sobre relatórios.
Texto elaborado pela comunidade OSINT Rio a partir de mapas mentais do curso de pós-graduação em OSINT da WB Educação, com autorização.
